Floating Flower Garden

Floating Flower Garden

Foi a primeira exposição que eu vi no teamLab Planets. Quando você chega eles pedem para escolher entre três entradas. Escolhi a do jardim, mas o corredor é uma sala toda escura, você pensa que está perdido, e aí abre a porta.


Meu primeiro pensamento foi:


O céu deve ser assim. Mesma sensação de paraíso. Eu não conseguia acreditar no que meus olhos viam. 13 mil orquídeas penduradas, espelhos por todos os lados, luz do sol refletindo e batendo de volta, e conforme o passo que eu dava o jardim se movia junto comigo.


Tem experiências e experiências. Essa é quase um arrebatamento.


O nome inteiro da obra é jardim de flores flutuantes, as flores e eu somos da mesma raiz, o jardim e eu somos um só. Vem de uma frase antiga: céu e terra e eu temos a mesma raiz, todas as coisas e eu somos um só corpo. Perguntaram isso a um monge chamado Nansen e ele não respondeu nada, só apontou uma flor e disse que as pessoas de hoje olham para uma flor dessas como se estivessem sonhando.


Fiquei pensando nessa história do sonho. Acho que ele está falando de olhar uma coisa já pensando na próxima. Será que não é assim que a gente atravessa quase tudo? A flor está ali inteira e a gente passa por ela sem chegar a ver.


Naquela sala não dá. O jardim se mexe conforme você anda, sobe quando você chega perto, desce depois que você passa. Ele só existe daquele jeito enquanto tem um corpo ali dentro. Você é obrigada a estar presente porque a sala inteira está respondendo a você.


Fora dali nada sobe quando a gente chega perto. A flor do canteiro fica parada, a rua fica igual, ninguém avisa que valia a pena olhar. Se nada se mexe para pedir atenção, o que sobra é a gente decidir parar.


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