Eu sou uma pessoa intensa. Sempre fui.

Eu sou uma pessoa intensa. Sempre fui.

Eu sou uma pessoa intensa. Sempre fui.


Vivo as coisas no talo, sinto tudo com voltagem alta, me apaixono pelos projetos, pelas ideias, pelas pessoas. Acendo fogueira em tudo que toco. E por muito tempo eu achei que era só isso, que ser intensa era o meu jeito e pronto, sem manual, sem regulagem.



Só que tem uma coisa que ninguém te conta sobre viver assim. A luz no máximo o tempo todo não ilumina mais. Ela sobrecarrega.


Chega uma hora que eu tô acesa em tudo ao mesmo tempo, e em vez de brilhar, eu só esquento. Fico exausta de mim mesma. Aquilo que era pra ser força vira peso, e eu me pego queimada, sem saber direito onde gastei tudo.


(E o pior é que eu gosto de ser assim. Não quero deixar de ser.)


Então não é sobre apagar. Eu nunca quis ser morna, nunca vou querer. A intensidade é de onde vem tudo que eu faço de melhor, o olhar, a arte, o jeito de amar as coisas. Abrir mão dela seria abrir mão de mim.


Mas talvez dê pra não ficar no máximo o tempo inteiro. Talvez a intensidade de verdade não seja estar sempre acesa, e sim saber acender forte quando importa. Guardar voltagem pra hora certa em vez de gastar tudo em tudo. Deixar a luz descansar pra ela poder queimar bonito quando precisar.


Ainda não sei fazer isso direito. Vivo tentando achar esse ponto, esse regulador que me deixe intensa sem me deixar em brasa.


Mas acho que é isso que eu tô aprendendo agora. A ser fogo sem virar cinza.

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