Quando você pensa na palavra aventura, o que vem à sua mente?
Se for de forma clichê e óbvia, penso em parques de diversões, trilhas, brincadeiras, esportes mais radicais. Mas e se eu te dissesse que a maior aventura da sua vida está em caminhar para o desconhecido? Em não buscar o controle que, vou te contar um segredo, não existe.
Imagina uma criança entrando em uma sala mais escura. Lá no fundo, uma luz chama a atenção dela. Ela mal consegue enxergar o que está à frente, não sabe quais são os desafios até chegar do outro lado, se tem algo no chão que pode fazê-la tropeçar, se existe uma escada ou qualquer coisa fora do lugar.
Mas, se você já observou uma criança quando quer muito algo, sabe: ela vai. Engatinha, sobe no sofá, na cadeira, se pendura, cai, levanta e tenta de novo. Existe uma determinação ali, quase inevitável.
E quando ela finalmente alcança o que queria, o interesse passa. E logo começa a busca por outra coisa.
Sempre ouvi em análise que o desejo está na falta. Mas, sem o desejo, não existe movimento. O destino final dessa aventura nunca foi o objeto em si, mas a motivação de seguir e a criatividade de encontrar caminhos até ele.
A grande aventura da vida é estar aberta a ela.
Penso na vida como um grande musical.
Com intensidades, altos e baixos, momentos de leveza e de melancolia. E talvez o maior desafio seja justamente esse: estar aberta a todas as nuances, sem querer controlar tudo.
Você não pode mudar o inverno só porque está cansada dele. Pode até viajar por um tempo em busca de calor, mas, quando volta, ele ainda está lá. Assim como o verão, a primavera…
O que existe e, pra mim, talvez esse seja o grande segredo, é aprender a se preparar para cada estação e encontrar beleza em todas elas. Aprender com o que cada fase pede.
Quando penso em aventura, penso na vida. E em como somos privilegiados de viver esse percurso, seja ele como for.
É permitir que a sua alma faça o caminho dela. Despressurizar, esvaziar, soltar. De novo e de novo. E então transcender.
Colocar pra fora, criar, entregar.
Fazer o movimento de ruptura.
Deixar a energia que está comprimida sair, ganhar forma, fluir.
E repetir esse ciclo, sempre que a vida pedir
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